terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

TEMA IV- A REGULAÇÃO E AS LINHAS MESTRAS DE AVALIAÇÃO DOS SISTEMAS EDUCATIVOS

Tipos de sistemas de avaliação dos sistemas educativos

Após ler a intervenção da Colega Clara Mendes , no fórum, quando esta refere que "o Sistema Educativo de qualquer país o Estado é o principal responsável pela regulação, monitorização e controle de sistemas de avaliação, das escolas, das avaliações externas e dos alunos, os professores, os pais e encarregados de educação e outros agentes educativos também desempenham um papel fundamental nesse processo", aproveito para partilhar, um pouco do artigo de Pascal Roggero (2002) , em relação à “Avaliação dos sistemas educativos nos países da União Europeia: de uma necessidade problemática a uma prática complexa desejável”, atentei que este desenvolve a ideia de que encontramos na União Europeia 3 tipos de sistemas de avaliação dos sistemas educativos: o modelo concorrencial inglês, o modelo de “interesse geral francês” e o modelo finlandês – compromisso entre a eficácia e a igualdade.

O modelo concorrencial inglês
Este modelo tem grande relevância a nível internacional.
A avaliação na Inglaterra é feita por organismos independentes do Estado: duas agências diferentes onde cada uma tem trabalhos distintos, uma faz a inspeção dos estabelecimentos educativos, outra avalia as aprendizagens dos alunos e elabora os programas. Esta avaliação externa tem a seu cargo a “produção de informações a respeito dos estabelecimentos” para que os pais possam escolher a escola que pretendem para os seus filhos.. É uma avaliação externa, privada, baseada na eficiência e “na conceção económica da regularização do mercado”.

O modelo de interesse geral francês
Este modelo de avaliação é qualitativa e fortemente concentrado no Estado.
A avaliação é feita pelo Ministério da Educação através de dois organismos: a inspeção que procede à avaliação profissional dos professores e  formações e da administração que faz a avaliação dos estabelecimentos escolares e do funcionamento administrativo do Ministério. A avaliação é de natureza qualitativa e centralizadora. Há forte resistência à avaliação externa.

O modelo finlandês de compromisso entre a eficácia e a igualdade
Na Finlândia, nos anos 90, nasceu um sistema de avaliação, que estabeleceu uma obrigatoriedade de avaliação em todos os níveis de ensino e a autoavaliação, assente na reflexão que desencadeou modelos de avaliação dispares para cada estabelecimento de ensino, tendo em conta: a expetativa dos atores exteriores em relação à escola, o conhecimento dos seus recursos e os valores da comunidade onde se insere.
Os seus indicadores são a eficácia funcional sobre as responsabilidades financeiras e sobre os resultados escolares e culturais, sendo que dos resultados da avaliação depende o financiamento. A avaliação é feita por uma agência nacional.
Na Finlândia, os sistemas educativos têm autonomia, existindo avaliação externa. As autoridades municipais e regionais têm aptidão real para intervir na orientação referente à adaptação da escola, à contextualização e funcionamento da ação educativa. O objetivo principal do sistema finlandês é a igualdade.

 Apreendo destes três modelos que a avaliação das escolas na europa, divergem em alguns pontos, convergindo noutros, contudo são vinculadas por compromissos ideológicos e sociais, que sustentam a sociedade.
 Nas vivências educativas de escola, deve-se ter em conta que no processo de avaliação, cada instituição tem de escolher a sua forma de avaliar, baseadas em ideais e convicções de forma a marcar uma diferença positiva.

ROGGERO, P. (2002). "Avaliação dos sistemas educativos nos países da União Europeia: de uma necessidade problemática a uma prática complexa desejável", in EccoS Rev. Cient. nº 2, v. 4, pp.31-46. São Paulo: UNINOVE. pp. 33-35. Disponível em http://redalyc.uaemex.mx/pdf/715/71540203.pdf.


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