Tipos de sistemas de avaliação dos sistemas educativos
Após ler a intervenção da Colega Clara Mendes , no fórum, quando esta refere que "o Sistema Educativo de qualquer país o
Estado é o principal responsável pela regulação, monitorização e controle de
sistemas de avaliação, das escolas, das avaliações externas e dos alunos, os
professores, os pais e encarregados de educação e outros agentes educativos
também desempenham um papel fundamental nesse processo", aproveito para partilhar, um pouco do artigo de Pascal Roggero (2002) , em relação à “Avaliação dos sistemas educativos nos países da União Europeia: de uma
necessidade problemática a uma prática complexa desejável”, atentei que este
desenvolve a ideia de que encontramos na União Europeia 3 tipos de
sistemas de avaliação dos sistemas educativos: o modelo concorrencial inglês, o
modelo de “interesse geral francês” e o modelo finlandês – compromisso entre
a eficácia e a igualdade.
O modelo concorrencial inglês
Este modelo tem grande relevância a nível internacional.
A avaliação na Inglaterra é feita por
organismos independentes do Estado: duas agências diferentes onde cada uma tem
trabalhos distintos, uma faz a inspeção dos estabelecimentos educativos, outra
avalia as aprendizagens dos alunos e elabora os programas. Esta avaliação
externa tem a seu cargo a “produção de informações a respeito dos
estabelecimentos” para que os pais possam escolher a escola que pretendem para
os seus filhos.. É uma avaliação externa, privada, baseada na eficiência e “na
conceção económica da regularização do mercado”.
O modelo de interesse geral francês
Este modelo de avaliação é qualitativa e
fortemente concentrado no Estado.
A avaliação é feita pelo Ministério da
Educação através de dois organismos: a inspeção que procede à avaliação
profissional dos professores e formações e da administração que faz a
avaliação dos estabelecimentos escolares e do funcionamento administrativo do
Ministério. A avaliação é de natureza qualitativa e centralizadora. Há forte
resistência à avaliação externa.
O modelo finlandês de compromisso entre a eficácia e a igualdade
Na Finlândia, nos anos 90, nasceu um
sistema de avaliação, que estabeleceu uma obrigatoriedade
de avaliação em todos os níveis de ensino e a autoavaliação, assente na
reflexão que desencadeou modelos de avaliação dispares para cada
estabelecimento de ensino, tendo em conta: a expetativa dos atores exteriores
em relação à escola, o conhecimento dos seus recursos e os valores da
comunidade onde se insere.
Os seus indicadores são a eficácia
funcional sobre as responsabilidades financeiras e sobre os resultados
escolares e culturais, sendo que dos resultados da avaliação depende o
financiamento. A avaliação é feita por uma agência nacional.
Na Finlândia, os sistemas educativos têm
autonomia, existindo avaliação externa. As autoridades municipais e regionais
têm aptidão real para intervir na orientação referente à adaptação da escola, à
contextualização e funcionamento da ação educativa. O objetivo principal do
sistema finlandês é a igualdade.
Apreendo destes três modelos
que a avaliação das escolas na europa, divergem em alguns pontos, convergindo
noutros, contudo são vinculadas por compromissos ideológicos e sociais, que
sustentam a sociedade.
Nas vivências educativas de escola,
deve-se ter em conta que no processo de avaliação, cada instituição tem de
escolher a sua forma de avaliar, baseadas em ideais e convicções de forma a marcar
uma diferença positiva.
ROGGERO, P. (2002). "Avaliação dos
sistemas educativos nos países da União Europeia: de uma necessidade
problemática a uma prática complexa desejável", in EccoS Rev. Cient.
nº 2, v. 4, pp.31-46. São Paulo: UNINOVE. pp. 33-35. Disponível em http://redalyc.uaemex.mx/pdf/715/71540203.pdf.